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O GESTOR E O SAPO

02 mar 2021

Por Beneditto Marques.

Percepção de ambiente para mudança de atitude

Qualquer internauta que navegar pela internet pode encontrar facilmente a história do sapo na panela de água quente. Portanto, nossa intenção aqui não é contar a história amplamente divulgada na rede mundial e sim, traçar um comparativo entre a hipotética história do sapo (que, sinceramente nem tenho como avaliar sua veracidade) com a real situação de reação de alguns gestores, quando enfrentam situações que exigem decisões e mudanças.

A história relata que se você colocar um sapo numa panela com água fervendo, ele terá uma reação instintiva e pulará fora da panela, para salvar a própria vida. O animalzinho sentirá a agressão ao seu corpo, que pode representar um grande e real perigo e, num instinto de defesa da própria vida, empregará todo esforço e energia para saltar e sair daquela situação. Comparativamente, se uma empresa contrata um gestor, por mais inexperiente que seja, ao se defrontar com um ambiente caótico, em estado de ebulição (fervendo), poderá ter a mesma reação instintiva do sapo e “pular fora” da situação, para não sofrer tais consequências.

Voltando a história, se você colocar o sapo numa panela de água fria e for aquecendo a água aos poucos, ele não percebe a mudança da temperatura (e da situação) e perde a vida, sem perceber. Analogamente, se uma empresa contrata um gestor- despreparado e inexperiente- e o coloca na direção dos negócios, em um ambiente que se arma progressivamente, feito uma bomba relógio, é possível que sua falta de preparação e experiência não consigam alerta-lo para a iminente eclosão, onde fatalmente também não sobreviverá.

Mas porque o sapo não pula quando a água começa a ficar quente? Será que ele não sente que a água esquentou? Vamos tomar a personalidade do sapo e, fazendo um paralelo ao comportamento do gestor inexperiente, analisemos suas reações enquanto a água (que representa a situação) está esquentando, e verificar o que se passa no comportamento dos dois personagens:

Aos 28 Graus – Humm que água gostosa… Percepção zero de risco.

Passou para 32 Graus – É… a água está boazinha… Eu preferia como estava antes, mas até que não está tão ruim.

Chegando aos 36 Graus – Esta água está ficando sem graça. Será que as coisas estão esquentando? Bobagem! Por que a água (situação) iria esquentar? As pessoas parecem estar agindo em sua normalidade. Deve ser impressão minha.

Subindo para 38 Graus – Estou ficando com calor… Que droga de água (situação)! Ela não era tão quente, por que será que está mudando?

Estamos a 39 Graus – Essa água (situação) está uma porcaria! É melhor nadar um pouco em círculos até a água esfriar de novo, ou seja, preciso circular por aí, esfriar a cabeça, quem sabe as coisas amenizam um pouco. Vou dar um pulo no salão de vendas, passar pelo RH e volto mais tarde.

Atingindo os 40 Graus – Esta água (situação) está muito quente! Humm aqui parece que está ainda pior! – Insustentável! Vou voltar lá para aquele lado que estava mais fresco ou será que é melhor esperar um pouco? A falta de percepção não deixa antever que o aquecimento será geral.

Agora 42 Graus – Realmente, esta água (situação) está péssima, quente de verdade. Tenho que falar com o supervisor das águas (reclamar da situação para outros gestores, talvez responsabiliza-los pela situação). Claro, eu podia pular fora, mas onde será que vou cair (será que o mercado não está na mesma situação)? Melhor esperar só mais um pouquinho.

Aos 43 Graus – Meu Deus! Será que eu tenho que fazer tudo por aqui? Já reclamei e ninguém toma uma atitude? Essas pessoas não estão vendo a real situação?

Incríveis 44 Graus – Por que esse supervisor de águas não faz nada? Será que ninguém nota que a água (situação) está insuportável? As coisas não vão bem, ninguém toma providências, mas eu vou esperar mais um pouco e ver se alguma coisa muda…

Que horror! 45 Graus – Que calor!!!!! Se ninguém fizer nada eu vou fazer um escândalo…. Aiiiii que calor! Nada mais dá certo. Estou perdendo as forças para lutar contra essa situação.

46 Graus e subindo – Eu devia ter pulado fora (mudar o que deveria ser mudado) quando eu tive oportunidade, agora é tarde. Estou sem forças.

Inacreditáveis 48 Graus – “sapo morto”. O irremediável está feito! É o fim dessa etapa.

A forma não reativa do sapo ilustra o processo de mudança que acontece no ambiente corporativo e como as pessoas hesitam em fazer algo para mudar, senão com uma resposta ampla, pelo menos que resolva parcialmente, até que se possa agir mais energicamente, com maior capilaridade. No mundo de hoje, onde as mudanças bruscas de “temperatura” (reveses que complicam a boa atuação) são tão corriqueiras e constantes que, quem pensa como o sapo, se acomoda ao agravamento progressivo da situação e perde as oportunidades de agir para mudar e crescer.

Uma situação típica do “pensamento sapo”, é um profissional que tem, por exemplo, dificuldades de relacionamento com pares do mesmo nível hierárquico, com colegas ou com seu superior, que não para de reclamar e de tentar mudar o outro. Por que ele não salta? Pular dessa situação para uma atitude mais sadia, de rever suas próprias atitudes e mudar a você em primeiro lugar! Procurar a melhoria de Você mesmo, é um movimento contrário à acomodação do “pensamento sapo”.

Se você é um gestor, pense em qual nível está a temperatura da sua água? Faça uma análise sincera e realista do ambiente onde sua gestão atua. Se a água está em níveis de temperatura mais elevados, você vai ficar dando “voltinhas” dentro da mesma panela em ebulição? Qual vai ser o primeiro passo que você vai dar para trazer a água a um ambiente mais agradável? Pequenas, mas importantes atitudes, como por exemplo, chegar sorrindo todo dia ao trabalho, ou dar um “Bom dia” caloroso a todos quando chegar, é uma mudança de comportamento que harmoniza o ambiente, abrindo as portas e criando oportunidade para outras mudanças internas maiores.

Seja justo e prático com você mesmo e mude para valer, atingindo resultados que levem essas mudanças a todos, criando um ambiente que favoreça o fortalecimento, o crescimento e o sucesso.